quarta-feira, 19 de agosto de 2026

ABC Paulista atinge marca recorde de 157 mortes no trânsito em 2026

Dados do Infosiga revelam um aumento expressivo nas fatalidades viárias na região, com motociclistas representando quase metade das vítimas fatais acumuladas no ano.

O Grande ABC registrou 157 mortes no trânsito entre janeiro e julho de 2026, o maior número para esse período desde o início da série histórica do Infosiga, em 2015. Os dados acendem um alerta para a segurança viária nas sete cidades da região.

Somente em julho, 19 pessoas morreram em acidentes nas ruas e rodovias do ABC. O resultado também representa o mês de julho mais letal dos últimos cinco anos e reforça uma tendência de crescimento das ocorrências fatais ao longo de 2026.

Motociclistas representam quase metade das vítimas

As motocicletas aparecem com destaque nas estatísticas. Dos 157 óbitos registrados nos primeiros sete meses do ano, 75 envolveram motociclistas, o equivalente a aproximadamente 49% do total. A participação desse grupo aumentou de forma significativa na última década: em 2015, motociclistas representavam cerca de 34% das mortes no trânsito da região.

Entre os fatores apontados para o aumento estão excesso de velocidade, consumo de álcool e a maior presença de motocicletas utilizadas como ferramenta de trabalho. Para muitos profissionais de entregas e outros serviços, a rotina envolve longos períodos nas ruas e pressão por rapidez, aumentando a exposição a situações de risco.

O advogado especialista em Direito de Trânsito Anderson Freitas chama atenção para a combinação entre velocidade e infrações relacionadas ao consumo de álcool. Já o consultor e professor Creso Peixoto destaca o crescimento do número de trabalhadores que dependem da motocicleta para exercer suas atividades diariamente.

Pedestres perdem participação, mas números continuam elevados

Enquanto a presença dos motociclistas entre as vítimas aumentou, a participação dos pedestres apresentou redução em relação aos anos anteriores. Em 2017, eles correspondiam a cerca de 40% das mortes no trânsito do Grande ABC. Em 2026, essa proporção está em aproximadamente 28%.

As cidades da região vêm adotando iniciativas como reforço da sinalização, mudanças na infraestrutura viária e implantação de faixas exclusivas ou preferenciais para motocicletas. Ainda assim, os números mostram que o desafio envolve também fiscalização, educação no trânsito e comportamento dos próprios condutores.

Em pouco mais de uma década, o Grande ABC acumulou cerca de 2.600 mortes no trânsito. São Bernardo do Campo lidera o levantamento histórico, com 1.011 registros, seguida por Santo André, com 573, e Diadema, com 406.

Os dados mostram que a redução das mortes depende de uma combinação de medidas: melhoria da infraestrutura, fiscalização eficiente e maior responsabilidade de motoristas e motociclistas. Com 157 vítimas fatais em apenas sete meses, 2026 já se consolida como um dos períodos mais preocupantes da série histórica para o trânsito do Grande ABC.


Fontes consultadas:


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