Pacto de 30 anos prevê infraestrutura para enriquecimento de urânio e enfrenta resistência no Congresso americano
Os governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita estabeleceram um acordo de cooperação nuclear com validade de 30 anos. O texto, que deve ser assinado na Casa Branca, permite ao país árabe o enriquecimento de urânio dentro de seu programa civil e garante prioridade a empresas americanas no desenvolvimento da infraestrutura energética local.
A proposta, contudo, ainda depende de análise e votação no Congresso dos Estados Unidos. Parlamentares possuem um prazo de 90 dias para revisar a medida, que pode ser alvo de veto presidencial, exigindo uma maioria de dois terços em ambas as casas legislativas para ser revertida.
O governo saudita justifica a iniciativa como uma estratégia para diversificar sua matriz energética, reduzir emissões de carbono e otimizar o uso de petróleo e gás. Em contrapartida, Washington aponta vantagens estratégicas e econômicas, buscando manter influência sobre o programa saudita e evitar a ocupação desse mercado por concorrentes como China, Rússia, França e Coreia do Sul.
O anúncio ocorre em um cenário de instabilidade regional, marcado pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. Críticos do acordo alertam para o risco de proliferação nuclear e uma possível corrida armamentista no Oriente Médio, destacando a ausência de salvaguardas como o "padrão ouro" e o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Analistas também apontam que o pacto pode gerar questionamentos sobre a coerência da política externa americana, especialmente em relação à oposição de Washington ao programa nuclear iraniano. O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, já declarou anteriormente que, caso o Irã desenvolva armas nucleares, a Arábia Saudita buscará capacidade equivalente.
Fonte: G1 Mundo
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