quarta-feira, 10 de maio de 2023

O Foro de São Paulo vai bem? Por Luiz Philippe de Orleans e Bragança

Boric (presidente do Chile) / Fernandez (presidente da Argentina)

A ideia de criar blocos políticos e econômicos já passou. Ficou no século 20. No século 21, observam-se forças contrárias aos blocos crescendo no mundo todo. No final do século 20, em 1991, acabou a União Soviética, em 2016 vimos o brexit, em 2018 houve a renegociação do acordo NAFTA e da OTAN, e em 2022, o início da guerra na Ucrânia. Em contrapartida, quem insistiu em fazer acordo em bloco não teve muito sucesso, vide Mercosul e União Europeia.  

Mas a pandemia não reforçou a OMS e a ONU? Sim e não, pois a interferência globalista, apesar de ser óbvia e brutal, foi também o que fomentou resistências e vontades de vários países-membros de buscarem um polo alternativo, mais aberto, como o que está sendo criado pelos BRICS.  A tendência é clara: enfraquecimento dos blocos e agremiações supranacionais, aumento do nacionalismo, do protecionismo e de tudo o que preserve as soberanias nacionais, seus recursos naturais, empresas e cidadãos.

Nesse momento, reaparecem na América Latina lideranças da esquerda antiquada com ideias antiquadas e pasmem, resolvem ressuscitar uma ideia tão antiga quanto elas: criar uma “União Soviética na América Latina”.  No Brasil, o “novo” presidente recém- eleito reativou a UNASUL e faz discursos alinhados com reforço do MERCOSUL.  Por trás dessas decisões institucionais há um movimento antigo e subversivo de partidos de esquerda latino- americano chamado Foro de São Paulo. Sua missão? Conquistar as presidências dos países latino-americanos e estabelecer em cada um deles uma ditadura socialista.

__________________________________________________________________________________________________________________________
Informe publicitário

Quer aprender mais sobre ciência política?

Saiba mais clicando aqui.

__________________________________________________________________________________________________________________________

Como anda esse entulho da era soviética?  Um rápido mapa geopolítico da América Latina pode nos ajudar a identificar as crises estruturais causadas pelo Foro de São Paulo nos últimos 30 anos. Atualmente a foto regional não é tão desesperadora para quem defende a liberdade e a prosperidade.  Há 5 países que tem governos fora do Foro de São Paulo: Paraguai, Uruguai, Equador, Guiana, Costa Rica e Panamá.  Há somente 3 países com ditaduras consolidadas: Cuba, Venezuela e Nicarágua.  E há 7 países onde o Foro de São Paulo tem a presidência, mas os planos ditatoriais do Foro não se consolidaram ou suas lideranças estão fracas: Brasil, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Honduras e México.

Esse quadro não pinta uma boa notícia para os apoiadores do Foro e se os países que estão balançando começarem a ruir será o fim de seus planos, mais uma vez. Vamos analisar o que está acontecendo com os presidentes do Foro de São Paulo nos países em que esses estejam balançando:

Chile: Gabriel Boric, sem maioria para eleger sua constituinte, viu a sociedade reagir contra sua proposta de constituição totalitária e no domingo, 7 de maio, a direita ganhou o pleito para elaboração de uma nova constituição. O primeiro ano do governo de Gabriel Boric foi marcado pelo aumento dos índices de criminalidade. A taxa de ocorrências policiais registradas em 2022, por exemplo, apresentou um crescimento de 44% em relação a 2021, segundo dados da Subsecretaria de Prevenção ao Crime do Ministério do Interior. A população deu sua resposta nas urnas. Em cédulas.

Colômbia:  Gustavo Petro, presidente assumidamente bolivariano, ex-líder das FARC, ordenou que seus ministros renunciassem, depois de perder maioria no congresso e pedir mobilização nas ruas - que não aconteceu - para aprovar seus projetos de estatização e centralização. Na última semana, rompeu com a coalizão governista que o apoiava e deve sofrer o impacto da falta de governabilidade.

Argentina: Alberto Fernández, burocrata peronista, já declarou que não deve concorrer a nova eleição diante do desastre econômico que promoveu, comparável ao da Venezuela. A inflação anual bateu em 102% e os juros 99% e o mercado calcula que, ao fim deste ano, ela dispare para mais ainda, o maior índice desde 1991. Enfraquecida pela derrota nas urnas nas eleições legislativas de 2021, a Casa Rosada abriu a torneira do gasto público, com aumentos de subsídios e planos sociais, e criou restrições ao capital o que aprofundou ainda mais a crise econômica e afastou investimentos. Sem reservas, a dependência de ajuda externa é total.

Bolívia:  Luis Arce vem sofrendo denúncias de corrupção do ex-presidente, ex-apoiador e também socialista Morales, presidente de seu partido MAS, revelando que o mito da solidariedade da esquerda não resiste a dois anos de disputas pelo poder. Seguindo a cartilha do Foro de São Paulo, Arce retomou alianças com o governo de Nicolás Maduro e restabeleceu relações diplomáticas com o Irã. Além disso, restituiu a exigência de visto para turistas dos Estados Unidos e de Israel, suspensa no governo anterior. No país mais pobre da América Latina, o desemprego e a criminalidade dispararam e a maioria das agências não aconselha que turistas percorrem rodovias, a pé ou de carro, mas prefiram viagens aéreas para evitar o crescente assédio do narcotráfico.

Honduras: A presidente Xiomara Castro tem estatizado a economia de Honduras com reversão de privatizações e aumentou impostos e gastos sociais.  Perdeu apoio do Congresso e luta para conquistar governabilidade é praticamente perdida.  Em pesquisa mais da metade da população hondurenha gostaria de sair de seu país.

Peru: Pedro Castilho tentou dar um golpe de estado ao dissolver o Congresso no final de 2022 e os militares o impediram e forçaram sua saída. Assumiu o comando sua vice Dina Boluarte, que tem debelado protestos internos violentos e está sendo investigada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos por mortes causadas durante esses protestos. Economicamente, o Peru está fragilizado, com problemas estruturais anteriores e com agenda populista limitadora do governo socialista.

México: O social-democrata López Obrador está em guerra contra o narcotráfico desde sua eleição, em 2018, sem sucesso. As críticas a seu governo fraco, que não consegue deter os cartéis nem conter a criminalidade, desfizeram a imagem progressista do presidente, politicamente desgastado. Em fevereiro deste ano, milhares de manifestantes protestaram contra sua reforma eleitoral, que visa perpetuar a hegemonia da esquerda no país. Diante de oposição organizada e mobilização que o pressionam, Obrador pretende fazer um pacto com a direita mexicana para tentar obter alguma governabilidade.

E no Brasil? O atual presidente do Brasil é fundador do Foro de São Paulo.  Tem agido com coerência em defender uma ditadura socialista que o Foro prega e adota as mesmas estratégias de seus aliados na América Latina. Assim como os demais países em que o Foro não conseguiu consolidar seu comando, o Brasil sofre do mesmo problema. Em sua base estão as instituições públicas, a separação de poderes e a oposição.

Esses três fatores impedem uma sedimentação rápida e vai requerer mais tempo para que seus objetivos sejam alcançados.  Tempo é o que eles não têm e é o que permite à opinião pública, junto com a oposição, se fortalecer para sua derrubada.

Balancem, que eles caem!

Leia mais em Gazeta do Povo


Precisando de crédito para adquirir um imóvel, carro ou outro bem? Entre em contato comigo através do WhatsApp (11) 97765-6734 ou clique no link aqui.



Para ficar bem-informado, se inscreva em nossos grupos: Telegram WhatsApp. 



Ajude o jornalismo independente: 

 

- Seja um apoiador: https://apoia.se/onenoticias


- Contribua através do PIX: contato.onenoticias@gmail.com


Livros para você:

    

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faça seu comentário com respeito!