quinta-feira, 23 de julho de 2026

CNI mantém projeção de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026

Entidade aponta resiliência de setores como agronegócio e indústria extrativa, mas alerta para riscos fiscais e juros elevados

CNI mantém projeção de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a sua projeção de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil neste ano. A estimativa, divulgada no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, indica que a economia nacional deve seguir em ritmo moderado, sustentada principalmente pelo desempenho da indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.

Apesar do cenário positivo em segmentos específicos, a entidade ressalta que fatores como a inflação persistente, os custos de produção elevados e o aumento das importações limitam uma recuperação mais robusta. O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que, embora o crescimento seja impulsionado por commodities e pela demanda, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais atuam como entraves para uma expansão acelerada.

O cenário fiscal é um ponto de atenção central para a confederação. A projeção aponta que, mesmo com o crescimento da arrecadação federal, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, o que contribui para a elevação do endividamento do país. A CNI revisou para cima a expectativa de inflação (IPCA), que passou de 4,4% para 5%, pressionada por itens como alimentos e combustíveis.

No âmbito setorial, a indústria extrativa teve sua projeção de crescimento elevada de 7,8% para 9,1%, beneficiada pela produção de petróleo. Já a agropecuária teve sua estimativa revisada de 1,1% para 1,8%, impulsionada por uma safra recorde de soja e pelo crescimento da produção animal. Em contrapartida, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros, prevendo que a Selic encerre 2026 em 13,75% ao ano.

Por fim, a entidade aponta que o cenário externo, marcado pelo conflito no Oriente Médio, permanece como um risco relevante para a economia brasileira, afetando custos de energia e fertilizantes. Além disso, a CNI observa que possíveis tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem impactar o desempenho das exportações nacionais ao longo do período.

Fonte: InfoMoney


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