Dados da Abras mostram alta de 2,49% no consumo no primeiro semestre, mas o bolso do consumidor continua sob pressão com a alta acumulada dos preços básicos.
O consumo das famílias brasileiras encerrou o primeiro semestre de 2026 com uma alta acumulada de 2,49%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Embora o número possa parecer positivo à primeira vista, a realidade vivida pelo brasileiro nas prateleiras dos supermercados revela uma cautela necessária diante da constante pressão nos preços dos alimentos.
Em junho, o indicador de consumo avançou 0,48% na comparação com maio e 1,86% frente ao mesmo mês do ano anterior, já descontada a inflação. Contudo, o vice-presidente da Abras, Marcio Milan, deixou claro que o comportamento do consumidor mudou: as famílias estão mais seletivas, comparando preços rigorosamente e buscando promoções para compor a cesta básica. Essa postura demonstra que, mesmo com a circulação de recursos na economia, o medo da inflação ainda dita o ritmo das compras.
A conta não fecha no supermercado
No acumulado do semestre, o cenário é de alerta. A cesta de 12 produtos básicos apresentou uma alta de 4,99%, impactada principalmente pelo preço do feijão e do leite longa vida. Ainda que o indicador Abrasmercado tenha registrado uma pequena queda pontual de 0,28% em junho, o primeiro semestre como um todo foi marcado por uma elevação de 6,52% nos preços da cesta de 35 produtos de largo consumo.
Na avaliação do One Notícias, essa realidade evidencia a fragilidade do poder de compra sob a gestão atual. Enquanto o governo tenta maquiar a percepção econômica com dados de consumo, o cidadão comum sente na pele o custo de vida elevado, forçado a reduzir a qualidade do que coloca na mesa para conseguir sobreviver ao mês.
Copa do Mundo e o perfil de consumo
O levantamento também apontou as mudanças no perfil de compras durante o período da Copa do Mundo. A chamada Cesta Copa foi composta majoritariamente por cortes bovinos, cervejas, cortes de frango, embutidos e refrigerantes. O consumo dessas categorias oscilou conforme o calendário da seleção brasileira, aproveitando momentos de entrada de salários, o que mostra como o consumo no país ainda depende de estímulos sazonais e não reflete um crescimento econômico estrutural sólido.
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