Mercado de trabalho aquecido e inércia inflacionária são apontados como fatores determinantes para o desvio do índice

Um estudo divulgado pelo Banco Central na última terça-feira (21) indica que a inflação de serviços subjacentes permanece acima da meta estabelecida pela autoridade monetária. Segundo o autor do levantamento, Thiago Trafane Oliveira Santos, o cenário é reflexo de um mercado de trabalho aquecido, aliado à inércia inflacionária e à desancoragem das expectativas.
O indicador, conhecido como núcleo Ex3 Serviços, é monitorado de perto pelo Banco Central por sua alta sensibilidade à atividade econômica e à política monetária. De acordo com o documento, a taxa de inflação subjacente de serviços estabilizou-se em aproximadamente 6% ao ano desde 2025, patamar que supera em 2 pontos porcentuais a meta ajustada para o setor, fixada em 4%.
A pesquisa utilizou dados mensais compreendidos entre dezembro de 2001 e maio de 2026 para analisar o comportamento do IPCA. O modelo aplicado, baseado na curva de Phillips, excluiu efeitos atípicos decorrentes da pandemia de covid-19 para isolar os fundamentos econômicos.
Um dos pontos centrais do estudo é a análise da taxa de desemprego que não acelera nem retrai a inflação, conhecida como Nairu. O levantamento aponta que esse indicador atingiu 7,2% em maio de 2026, o menor nível da série histórica. O autor destaca que o hiato do desemprego estimado em -1,8 ponto percentual sugere um mercado de trabalho com pressão sobre os preços, dado que a taxa de desemprego observada no período foi de 5,38%.
Fonte: CNN Brasil
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