quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Dólar volta a subir e ronda R$ 5,20 com petróleo e tensão no Oriente Médio

Moeda americana recupera parte das perdas da véspera enquanto investidores acompanham a escalada entre Estados Unidos e Irã, a alta do petróleo e as preocupações com o mercado de títulos norte-americano.

O dólar voltou a ganhar força diante do real nesta quinta-feira (20), recuperando parte da queda registrada no pregão anterior. Às 11h08, a moeda americana avançava 0,36% e era negociada a R$ 5,195 na venda, enquanto investidores acompanhavam um cenário internacional marcado pela alta do petróleo, pelas tensões no Oriente Médio e pelo comportamento dos juros dos títulos públicos dos Estados Unidos.

Na quarta-feira (19), o dólar à vista havia recuado 0,86%, encerrando a sessão a R$ 5,1777. O movimento ocorreu após o anúncio de uma ampliação do programa de recompra de títulos de longo prazo pelo Tesouro norte-americano, que trouxe alívio temporário ao mercado de renda fixa dos Estados Unidos e ajudou a pressionar a moeda americana.

Tesouro dos EUA tenta aliviar pressão sobre títulos de longo prazo

O mercado internacional continua atento ao comportamento dos Treasuries, os títulos da dívida pública dos Estados Unidos.

O Tesouro americano anunciou que vai pelo menos dobrar o tamanho das operações de recompra destinadas aos papéis de longo prazo. O limite, que era de US$ 2 bilhões por operação, passará para pelo menos US$ 4 bilhões nos segmentos com vencimentos entre 10 e 30 anos. A mudança entra em vigor em 9 de setembro e permanece até 4 de novembro.

A iniciativa foi anunciada depois de uma forte pressão sobre os títulos americanos, que levou os rendimentos dos papéis de 30 anos aos maiores níveis desde 2007. Quanto maior o rendimento exigido pelos investidores para financiar o governo dos Estados Unidos, maior tende a ser o custo de financiamento da economia e mais intensa se torna a preocupação com a trajetória fiscal do país.

O anúncio provocou queda nos rendimentos na quarta-feira, mas parte desse movimento começou a ser revertida nesta quinta, mantendo a cautela entre investidores.

Petróleo volta ao centro das atenções

Outro fator que influencia diretamente os mercados é a guerra no Oriente Médio e a situação do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo.

O Brent voltou a operar próximo de US$ 94 por barril nesta quinta-feira. As dificuldades para a circulação de navios pelo estreito e a incerteza sobre os próximos passos do conflito entre Estados Unidos e Irã mantêm um prêmio de risco elevado sobre a commodity.

Antes do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo comercializado mundialmente passava pelo Estreito de Ormuz. Por isso, qualquer ameaça ao fluxo de embarcações pela região tende a provocar reação rápida nos preços internacionais da energia.

A alta do petróleo também representa um desafio adicional para a inflação global. Combustíveis e energia mais caros podem se espalhar por diferentes setores da economia, afetando transporte, produção e custos industriais e dificultando o trabalho dos bancos centrais no controle dos preços.

Trump amplia pressão econômica sobre o Irã

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também elevou o tom contra Teerã. Nesta quinta-feira, a Reuters informou que o presidente americano ameaçou impor consequências econômicas a países que ofereçam apoio ou algum tipo de sustentação econômica ao Irã.

A estratégia amplia a pressão sobre o governo iraniano em um momento em que ainda há incerteza sobre a normalização do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

A combinação de guerra, petróleo elevado e instabilidade no mercado de títulos dos Estados Unidos aumenta a procura por ativos considerados mais seguros e tende a provocar maior volatilidade nas moedas de países emergentes, entre elas o real.

Dólar futuro também sobe na B3

No mercado brasileiro, o contrato de dólar futuro com vencimento em setembro acompanhava o movimento da moeda à vista. Às 11h08, o contrato mais negociado avançava 0,24%, para R$ 5,205.

Os investidores também acompanham fatores domésticos. Além dos efeitos do petróleo e dos juros internacionais sobre o câmbio, permanecem no radar a situação das contas públicas, a trajetória da dívida e o ambiente eleitoral brasileiro.

Dados divulgados nesta quinta-feira nos Estados Unidos mostraram ainda que os novos pedidos de auxílio-desemprego recuaram para 206 mil na semana encerrada em 15 de agosto, abaixo da expectativa de 211 mil. O indicador, porém, não chegou a provocar uma reação significativa adicional do dólar diante do real durante a manhã.

O comportamento da moeda nos próximos pregões deverá continuar bastante sensível ao noticiário internacional. A evolução da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo e a reação dos investidores à estratégia do Tesouro americano para o mercado de dívida permanecem entre os principais fatores capazes de alterar rapidamente o humor dos mercados.


Fontes consultadas:


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