quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Exportação de carne bovina brasileira recua 26% em agosto sob temor de barreiras chinesas

O setor pecuário enfrenta incertezas com a retração nos embarques e a possibilidade de aumento nas tarifas impostas pela China, principal destino da proteína nacional.

As exportações brasileiras de carne bovina perderam ritmo em agosto. Nas duas primeiras semanas do mês, o país embarcou em média 9,4 mil toneladas por dia útil, volume 26% menor que o registrado no mesmo período de 2025 e o menor resultado desde janeiro do ano passado.

A queda está diretamente relacionada ao principal destino da carne brasileira: a China. O país asiático estabeleceu para 2026 uma cota de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira sujeita à tarifa regular de 12%. Depois que esse limite é ultrapassado, passa a incidir uma sobretaxa adicional de 55%, elevando a tributação total para 67%.

Com a cota praticamente preenchida, frigoríficos brasileiros reduziram o ritmo dos embarques para evitar que cargas cheguem ao mercado chinês submetidas à tarifa mais elevada. A antecipação das compras pelos chineses também contribuiu para concentrar as exportações nos meses anteriores.

A importância da China para o setor ajuda a dimensionar o impacto da medida. Entre janeiro e julho, o mercado chinês respondeu por cerca de 45% do volume exportado de carne bovina brasileira e por 47% da receita obtida pelo setor, que alcançou US$ 11,4 bilhões no período.

Apesar da redução no volume embarcado em agosto, os preços internacionais continuam oferecendo algum suporte aos exportadores. O valor médio da carne bovina in natura ficou em torno de US$ 6.140 por tonelada, aproximadamente 10% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Dependência da China aumenta desafio para o setor

A situação evidencia um dos principais desafios do agronegócio brasileiro: a elevada concentração das vendas externas de carne bovina em um único mercado. Quando a China altera tarifas, cotas ou regras de importação, os efeitos são rapidamente sentidos por frigoríficos e pecuaristas brasileiros.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) já projetava que as exportações brasileiras poderiam recuar cerca de 10% em 2026 por causa das restrições impostas pela China. O setor busca ampliar vendas para outros destinos, mas substituir rapidamente a demanda chinesa é uma tarefa difícil diante do tamanho daquele mercado.

A necessidade de diversificação ganha ainda mais importância diante desse cenário. A abertura e ampliação de mercados como Estados Unidos, Japão, países do Oriente Médio e outros compradores pode reduzir a exposição do produtor brasileiro às decisões comerciais de um único país.

Por enquanto, os números de agosto mostram que a restrição chinesa já começa a produzir efeitos concretos sobre o fluxo das exportações. O desempenho dos próximos meses será decisivo para mostrar até que ponto o setor conseguirá redirecionar parte da produção e reduzir o impacto da menor demanda de seu principal comprador.


Fontes consultadas:


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