O Grande ABC registra, em média, uma pessoa picada por escorpião a cada 15 dias. Desde 2015, foram contabilizados 318 acidentes nos sete municípios da região, segundo levantamento do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies), ligado à Secretaria de Estado da Saúde. Apesar do número de ocorrências, nenhuma morte foi registrada no período.
Os dados mostram que o problema permanece presente na rotina das cidades. Em 2024, o Grande ABC registrou 45 casos, o maior número da série analisada. No ano seguinte foram 44 acidentes, apenas um a menos. Em 2026, até terça-feira (18), já haviam sido notificadas 11 ocorrências.
Diadema concentra o maior número neste ano, com quatro casos. Santo André, São Caetano do Sul e Mauá registraram dois acidentes cada, enquanto São Bernardo contabilizou um. Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra não tiveram ocorrências notificadas até o período do levantamento.
Crianças exigem atenção redobrada
A picada costuma provocar dor imediata no local e também pode causar vermelhidão, inchaço, suor, formigamento e alterações de sensibilidade. Nos casos mais graves, podem surgir náuseas, vômitos, sudorese intensa, agitação e alterações cardiovasculares.
A preocupação é ainda maior quando a vítima é uma criança. Segundo orientação da Secretaria de Estado da Saúde, menores de 10 anos podem apresentar evolução mais rápida do envenenamento e devem receber atenção imediata. O Estado recomenda que crianças nessa faixa etária sejam encaminhadas diretamente para um Ponto Estratégico de Soro Antiveneno, mesmo quando ainda não apresentam sintomas mais graves.
No Grande ABC, mãos e pés aparecem entre as partes do corpo mais atingidas. As mãos representam 22% das notificações, seguidas pelos pés, com 19,8%, e pelos dedos das mãos, com 19,1%.
Escorpião-amarelo preocupa autoridades de saúde
Entre as espécies de importância médica encontradas no Estado, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é considerado o mais preocupante. Além de estar associado aos acidentes de maior gravidade, o animal tem grande capacidade de reprodução e adaptação ao ambiente urbano.
Esse cenário ajuda a explicar por que o problema vai além do Grande ABC. Em todo o Estado de São Paulo, os acidentes com escorpiões cresceram cerca de 25% em 2025, passando de aproximadamente 42,3 mil registros em 2024 para 52.995 no ano seguinte.
Nas cidades, entulhos, restos de materiais de construção, lixo, folhas secas, madeira e locais com presença de baratas podem favorecer a permanência dos escorpiões. Por isso, o combate ao animal passa tanto pelos cuidados dentro das residências quanto pela limpeza e manutenção dos espaços urbanos.
Como evitar escorpiões dentro de casa
Entre as principais medidas de prevenção estão manter quintais e terrenos limpos, evitar acúmulo de entulho, madeira, tijolos e telhas e combater a presença de baratas, uma das principais fontes de alimento dos escorpiões nas cidades.
Também é recomendado proteger ralos com telas, fechar frestas em paredes, pisos e soleiras, afastar camas e berços das paredes e verificar roupas e calçados antes de utilizá-los. Quem trabalha com jardinagem ou manuseia materiais acumulados deve utilizar calçados fechados e equipamentos de proteção adequados.
Ao encontrar um escorpião, a orientação é não tentar capturá-lo diretamente, mesmo utilizando luvas comuns. O morador deve manter distância e comunicar o setor responsável pelo controle de zoonoses de seu município. O uso indiscriminado de inseticidas também não é recomendado.
Foi picado? Atendimento deve ser imediato
Em caso de suspeita de picada, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação. A necessidade de utilização do soro antiescorpiônico depende da gravidade do caso e deve ser definida pela equipe médica.
Não se deve fazer torniquete, cortar ou perfurar o local atingido nem utilizar medicamentos ou tratamentos caseiros sem orientação profissional. Essas medidas podem atrasar o atendimento adequado e aumentar o risco de complicações.
O número de acidentes no Grande ABC reforça a importância da prevenção contínua, principalmente em áreas urbanas com condições favoráveis à presença do animal. Além dos cuidados dos moradores, ações de limpeza, manejo ambiental, controle de resíduos e fiscalização de áreas com acúmulo de materiais são fundamentais para reduzir os locais utilizados pelos escorpiões como abrigo.
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