quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Haddad inicia campanha ao governo de São Paulo com foco no ABC Paulista

Ex-ministro inicia agenda própria de campanha por Mauá e Diadema enquanto tenta mobilizar bases tradicionais do PT e reduzir distância na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes

Fernando Haddad (PT) inicia nesta sexta-feira (21) sua primeira agenda própria de campanha pelo Grande ABC, região historicamente ligada ao Partido dos Trabalhadores. O candidato ao governo de São Paulo passará por Mauá e Diadema em uma estratégia voltada à mobilização das bases petistas e à tentativa de ampliar sua força eleitoral no maior colégio eleitoral do país.

A primeira atividade está marcada para as 10h, na Praça do Relógio, no Centro de Mauá. À tarde, às 15h, Haddad segue para Diadema, onde a concentração ocorrerá na Praça Agostinho Bertoli. As duas agendas serão realizadas em formato de caminhada.

A escolha do ABC não acontece por acaso. A região ocupa lugar central na história política do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi justamente em São Bernardo do Campo que Haddad participou, no último domingo (16), do ato que marcou a abertura de sua campanha ao governo paulista, ao lado de Lula e de outras lideranças da coligação.

Haddad tenta mobilizar bases tradicionais do PT

Durante o evento em São Bernardo, Haddad dedicou boa parte de seu discurso à trajetória política de Lula e às realizações de governos petistas. O ato no Estádio Municipal 1º de Maio também procurou recuperar a simbologia das mobilizações sindicais que projetaram Lula nacionalmente a partir do ABC.

Agora, com as caminhadas em Mauá e Diadema, Haddad passa a protagonizar sua própria agenda eleitoral na região. O desafio da campanha, porém, vai além de mobilizar o eleitorado tradicionalmente identificado com o PT.

Pesquisa Paraná Pesquisas divulgada nesta quarta-feira (19) coloca o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com 50% das intenções de voto, enquanto Haddad aparece com 33,8%. O levantamento ouviu 1.680 eleitores em 80 municípios entre os dias 16 e 18 de agosto, tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número SP-08913/2026. Trata-se de um retrato do momento eleitoral, e não de uma previsão do resultado das urnas.

Gestão na Fazenda também entra no debate eleitoral

Haddad chega à campanha carregando a experiência e também o desgaste de sua passagem pelo Ministério da Fazenda no governo Lula. A condução da política fiscal, a busca por novas fontes de arrecadação e as dificuldades para equilibrar as contas públicas deverão aparecer com frequência no debate eleitoral paulista.

Os números fiscais continuam sendo um ponto de atenção. O Prisma Fiscal de agosto, divulgado pelo próprio Ministério da Fazenda, mostra que a mediana das projeções do mercado para o déficit primário do Governo Central em 2026 aumentou de R$ 58,1 bilhões para R$ 59,1 bilhões.

A inflação também permanece no radar. Embora o IPCA acumulado em 12 meses tenha recuado para 4,44% em julho, segundo o IBGE, a projeção do mercado para o fechamento de 2026 estava em 5,02% no Boletim Focus de 17 de agosto, acima do limite superior de 4,5% do sistema de metas.

Esse cenário oferece munição aos adversários para questionar o legado econômico de Haddad, ao mesmo tempo em que o petista deverá defender as medidas adotadas durante sua passagem pela Fazenda e tentar desvincular a disputa estadual das críticas dirigidas ao governo federal.

Disputa por São Paulo começa a ganhar as ruas

A entrada de Haddad nas ruas de Mauá e Diadema mostra a importância que o PT atribui ao Grande ABC para tentar reduzir a vantagem hoje registrada pelo adversário nas pesquisas. A região funcionará como um dos primeiros testes para medir a capacidade de mobilização da candidatura petista fora dos grandes atos organizados ao lado de Lula.

O desafio será transformar a força histórica do partido na região em votos suficientes para avançar também sobre parcelas do eleitorado paulista que não fazem parte de sua base tradicional.

Depois de comandar a política econômica do governo Lula, Haddad terá agora de responder nas ruas não apenas pelas propostas que apresenta para São Paulo, mas também pelo resultado das escolhas feitas durante sua passagem por Brasília. Com a campanha oficialmente em andamento, economia, segurança, serviços públicos e o tamanho do Estado tendem a ocupar espaço cada vez maior no confronto político pelo Palácio dos Bandeirantes.


Fontes consultadas:


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