sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Lula telefona para Trump e busca reverter tarifaço comercial contra o Brasil

Conversa durou 1h20 e ocorreu dias após o Brasil acionar a Lei da Reciprocidade Econômica; comércio, crime organizado e conflitos internacionais também entraram na pauta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou nesta sexta-feira (21) para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma conversa que durou cerca de uma hora e 20 minutos. O principal assunto foi o tarifaço americano contra produtos brasileiros e a retomada das negociações comerciais entre os dois países.

Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo ocorreu em tom “amistoso e cordial”. Lula contestou as justificativas apresentadas pelo governo americano para as novas tarifas e defendeu que Brasil e Estados Unidos permaneçam na mesa de negociação. Trump, por sua vez, concordou com a retomada das conversas entre representantes dos dois governos.

A ligação acontece poucos dias depois de o governo brasileiro acionar formalmente o procedimento previsto na Lei da Reciprocidade Econômica, mecanismo que abre caminho para possíveis contramedidas comerciais contra os Estados Unidos em resposta às sobretaxas.

Tarifas atingem bilhões em exportações brasileiras

Ao longo de 2026, os Estados Unidos impuseram uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Segundo levantamento citado pelo BP Money, essa cobrança atinge aproximadamente 15% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a cerca de US$ 5,8 bilhões, considerando os dados comerciais de 2025. Há ainda uma sobretaxa mais ampla de 12,5%, aplicada pelos Estados Unidos a diferentes países.

Durante a ligação, Lula classificou como “infundadas” as alegações utilizadas para justificar as medidas americanas. Entre os temas mencionados pelo governo dos Estados Unidos estão desmatamento, acordos comerciais preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

O presidente brasileiro argumentou que as tarifas provocam efeitos negativos tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos e afirmou que a negociação é o melhor caminho para solucionar as divergências.

Segundo o Planalto, Trump concordou sobre a necessidade de preservar relações comerciais fortes e propôs que as equipes dos dois países voltem a se reunir o mais rapidamente possível. Ainda não foi divulgada uma data para a nova rodada de negociações.

Crime organizado entra na conversa

Lula e Trump também discutiram a cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado.

O presidente brasileiro demonstrou interesse em ampliar a parceria entre as forças de segurança dos dois países, mas ressaltou uma divergência sobre a classificação das facções criminosas.

Lula afirmou que grupos criminosos causam graves danos às populações mais vulneráveis, mas defendeu que essas organizações não sejam equiparadas a grupos terroristas. Segundo ele, o Brasil possui instrumentos próprios para combater as facções.

O presidente citou como estratégia o bloqueio financeiro das organizações criminosas e afirmou que ações do governo já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Também foram mencionados o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, a Lei Antifacção e medidas destinadas a ampliar a capacidade do Estado no enfrentamento ao crime organizado.

Trump sinalizou disposição para reforçar a cooperação bilateral e afirmou, segundo o governo brasileiro, que deverá mobilizar integrantes de alto escalão de sua administração para dar continuidade às tratativas.

Ucrânia e Oriente Médio também foram discutidos

A agenda internacional também fez parte do telefonema.

Os dois presidentes conversaram sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e defenderam a busca por uma solução negociada para o conflito. Trump também apresentou sua avaliação sobre as perspectivas americanas para o confronto com o Irã.

Lula voltou a defender uma atuação diplomática mais intensa para tentar encerrar os conflitos e criticou a dificuldade do Conselho de Segurança das Nações Unidas em produzir respostas diante das guerras atuais.

A conversa desta sexta-feira representa uma tentativa de reabrir uma frente direta de negociação entre Brasília e Washington em um momento de tensão comercial entre os dois países.

Com o Brasil já tendo acionado a Lei da Reciprocidade Econômica e os Estados Unidos mantendo tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, o próximo passo será a retomada das reuniões entre as equipes dos dois governos para discutir possíveis soluções para o impasse comercial.


Fontes consultadas:


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