quinta-feira, 23 de julho de 2026

Emendas parlamentares destinam mais verbas a itens de escritório do que a equipamentos de saúde

Levantamento do IEPS aponta que 65,7% dos itens adquiridos com emendas individuais para UBSs em 2025 foram materiais de infraestrutura e escritório

Emendas parlamentares destinam mais verbas a itens de escritório do que a equipamentos de saúde

Um levantamento realizado pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) revelou que as emendas parlamentares individuais destinadas ao SUS priorizaram itens de infraestrutura e material de escritório em detrimento de equipamentos de assistência médica. Em 2025, 65,7% dos itens comprados para Unidades Básicas de Saúde (UBSs) foram classificados como infraestrutura, enquanto equipamentos de saúde de baixo custo representaram 28% das aquisições.

Na Atenção Primária à Saúde, foram adquiridos 95.598 equipamentos, sendo 62.788 voltados a itens como cadeiras, computadores e aparelhos de ar-condicionado. Na assistência hospitalar e ambulatorial, a tendência se repetiu: 60% dos 69.218 itens comprados pertenciam à categoria de infraestrutura. Em valores, a Atenção Primária recebeu R$ 491 milhões, dos quais R$ 113,9 milhões foram gastos com material de escritório, enquanto veículos consumiram R$ 263,5 milhões.

O estudo aponta um desequilíbrio entre os investimentos em estrutura física e a ampliação da capacidade assistencial. Segundo os autores, o predomínio de materiais de escritório sobre equipamentos médicos levanta questionamentos sobre as prioridades na aplicação dos recursos públicos.

A distribuição regional dos investimentos também apresentou disparidades. O Centro-Oeste concentrou o maior volume de recursos, com 85% dos municípios da região recebendo ao menos uma emenda de investimento entre 2023 e 2025. Em contrapartida, a região Norte registrou o menor índice, com 63% dos municípios contemplados, apesar de sua alta dependência de transferências federais.

Os pesquisadores observaram que a alocação das verbas não segue critérios claros de equidade. Em municípios com até 10.000 habitantes, as cidades que receberam mais emendas também apresentaram maiores gastos próprios em saúde, sugerindo que os recursos podem estar sendo direcionados a locais com situação fiscal mais favorável.

Fonte: Poder360


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