Os Estados Unidos ampliaram sua participação em operações militares de combate ao narcotráfico no Equador, em uma nova etapa da cooperação de segurança entre Washington e Quito. A atuação conjunta foi confirmada pelo Ministério da Defesa equatoriano e envolve ações contra organizações criminosas que utilizam o território e as águas do país como importantes corredores para o tráfico internacional de drogas.
As operações fazem parte de uma iniciativa regional liderada pelos Estados Unidos para ampliar a cooperação contra cartéis e organizações criminosas transnacionais na América Latina e no Caribe. As ações vêm sendo desenvolvidas com participação direta das forças equatorianas e apoio militar americano.
Um dos focos está na província de Esmeraldas, no norte do Equador, próxima à fronteira com a Colômbia. A região enfrenta forte presença de grupos ligados ao narcotráfico e registra episódios recorrentes de assassinatos, sequestros e extorsões. Os portos da costa do Pacífico também são utilizados como rotas para o envio de drogas em direção aos Estados Unidos e à Europa.
O governador de Esmeraldas, Juan Jaramillo, confirmou a presença de militares americanos trabalhando em conjunto com forças locais, mas não revelou quantos integrantes das Forças Armadas dos Estados Unidos participam das ações nem desde quando eles estão mobilizados na região. Parte dos detalhes permanece sob sigilo.
EUA enviam navios e helicópteros ao Equador
A cooperação vai além da presença de militares em terra. Segundo o ministro da Defesa do Equador, Gian Carlo Loffredo, os Estados Unidos enviaram ao país dois navios de guerra, lanchas interceptadoras e três helicópteros Black Hawk.
Os equipamentos serão utilizados principalmente no reforço das operações marítimas e no monitoramento de rotas utilizadas pelo narcotráfico, incluindo o trecho entre o território continental equatoriano e as Ilhas Galápagos. O objetivo declarado pelo governo equatoriano é ampliar significativamente a capacidade de interceptação de embarcações suspeitas.
O comandante do Comando Sul dos Estados Unidos, general Francis L. Donovan, também esteve no Equador nesta semana e manteve reuniões com autoridades da área de Defesa para discutir a ofensiva contra os cartéis.
De acordo com o Ministério da Defesa equatoriano, a presença dos novos equipamentos representa uma ampliação concreta da capacidade conjunta de atuação no mar. O governo afirma que pretende triplicar sua capacidade de interdição marítima nas áreas consideradas estratégicas para o narcotráfico.
Cartéis equatorianos entram na mira de Washington
A ofensiva militar ocorre paralelamente ao aumento da pressão financeira dos Estados Unidos contra organizações criminosas que atuam no Equador.
Autoridades americanas anunciaram sanções contra indivíduos e empresas acusados de participar de redes responsáveis pelo envio de grandes quantidades de cocaína da América do Sul para o México, de onde parte da droga seguiria para o mercado norte-americano.
Entre os grupos citados pelas autoridades dos Estados Unidos estão Los Choneros e Los Lobos, duas das organizações criminosas mais conhecidas do Equador. Washington afirma que os grupos possuem vínculos com grandes cartéis mexicanos, incluindo o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nova Geração.
A escalada da violência provocada pelo crime organizado transformou a segurança pública em um dos principais desafios do governo do presidente Daniel Noboa. O Equador, que durante anos apresentou níveis de violência inferiores aos registrados em outros países da região, passou a enfrentar uma rápida expansão de grupos envolvidos com tráfico internacional de cocaína, extorsões e disputas territoriais.
Cooperação militar entra em nova fase
O movimento atual representa uma intensificação da participação americana no combate ao narcotráfico em território latino-americano. O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, já havia indicado que Washington pretendia ampliar operações contra organizações classificadas pelo governo americano como narcoterroristas, trabalhando diretamente com países aliados.
Segundo Hegseth, o Equador tornou-se o primeiro integrante da coalizão regional a estabelecer com os Estados Unidos uma operação militar combinada desse tipo contra grupos ligados ao narcotráfico.
A ampliação da cooperação ocorre, porém, em um contexto político sensível. Em referendo realizado em 2025, os eleitores equatorianos rejeitaram a possibilidade de instalação de bases militares estrangeiras permanentes no país. A atual operação ocorre por meio de acordos de cooperação e autorizações específicas, sem anúncio de criação de uma base americana.
O governo equatoriano também autorizou recentemente a permanência temporária de militares americanos no território nacional por até 180 dias sem necessidade de visto, dentro das regras estabelecidas para a cooperação entre os dois países.
Com navios, aeronaves e militares atuando ao lado das forças equatorianas, a ofensiva mostra que o combate aos cartéis entrou em uma nova etapa na região. Ao mesmo tempo, o sigilo sobre parte das operações e a ausência de informações sobre o número de militares envolvidos mantêm em aberto a dimensão exata da presença americana no Equador.
A evolução das ações deve ser acompanhada de perto, especialmente diante da estratégia de Washington de ampliar a ofensiva contra redes de narcotráfico que operam além das fronteiras nacionais e utilizam diferentes países latino-americanos como pontos de produção, armazenamento e distribuição de drogas.
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