sexta-feira, 21 de agosto de 2026

MP pede que Deolane Bezerra continue presa e a aponta como integrante de núcleo financeiro ligado ao PCC

Promotoria afirma que influenciadora teria atuado na movimentação e ocultação de recursos e sustenta que sua liberdade representaria risco de continuidade de crimes

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu à Justiça a manutenção da prisão preventiva da influenciadora e empresária Deolane Bezerra, presa desde maio no âmbito da Operação Vérnix. Segundo a Promotoria, ela integraria o núcleo financeiro de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A manifestação foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e ocorre no momento em que a prisão preventiva de Deolane completa 90 dias. Pela legislação, a necessidade da medida cautelar deve ser reavaliada periodicamente pela Justiça.

Deolane está presa desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo. Para o Ministério Público, permanecem presentes os fundamentos que justificaram a prisão, principalmente a garantia da ordem pública e o risco de continuidade das supostas atividades criminosas caso os acusados sejam colocados em liberdade.

O pedido não representa uma nova prisão ou uma nova acusação contra a influenciadora. Trata-se da reavaliação da preventiva decretada anteriormente durante a investigação.

MP aponta três núcleos no suposto esquema

Na manifestação encaminhada à Justiça, a Promotoria divide a organização investigada em três grupos: decisório, operacional e financeiro.

De acordo com o MP-SP, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças do PCC, e seu irmão Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior fariam parte do núcleo responsável pelas decisões.

Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho são apontados no núcleo operacional. Já Deolane Bezerra e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho são colocados pela Promotoria no núcleo financeiro.

Na avaliação do Ministério Público, Deolane teria desempenhado papel relevante na estrutura financeira investigada, utilizando contas pessoais e empresas vinculadas a ela para movimentar e ocultar valores que, segundo a acusação, teriam origem ilícita.

A Promotoria afirma ainda que parte desses recursos teria sido convertida em bens de elevado valor econômico. As alegações integram a acusação apresentada pelo Ministério Público e ainda serão analisadas no decorrer da ação penal.

Movimentações de mais de R$ 1 milhão estão sob investigação

A Operação Vérnix investiga uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista. Segundo as autoridades, a empresa teria sido utilizada para movimentar recursos relacionados à cúpula do PCC e realizar repasses a familiares de Marcola e outras pessoas.

A investigação também aponta relações pessoais e comerciais entre Deolane e um homem descrito pelos investigadores como gestor de fachada da transportadora.

De acordo com os dados apresentados na investigação, contas vinculadas à influenciadora receberam R$ 1,067 milhão entre 2018 e 2021 por meio de depósitos fracionados, muitos deles abaixo de R$ 10 mil.

Outras movimentações identificadas em duas empresas associadas a Deolane somariam aproximadamente R$ 716 mil. A origem e a finalidade desses recursos fazem parte dos pontos analisados pelas autoridades.

Segundo o UOL, a investigação chegou ao nome da influenciadora depois da análise de manuscritos encontrados em 2019 em uma área de esgoto da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. A partir desses elementos, os investigadores avançaram sobre as movimentações financeiras que posteriormente passaram a integrar a Operação Vérnix.

Deolane e outros investigados já são réus

O caso já ultrapassou a fase exclusivamente investigativa.

Em 10 de junho, o Ministério Público denunciou Deolane, Marcola, Alejandro Camacho, Everton de Souza, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A denúncia foi recebida pela Justiça em 18 de junho, o que tornou formalmente os acusados réus no processo. Isso não significa condenação: as responsabilidades individuais ainda precisarão ser examinadas pela Justiça durante a ação penal.

Dois dos acusados, Paloma e Leonardo, permanecem foragidos, segundo as informações divulgadas. Marcola já se encontrava preso antes da operação e recebeu um novo mandado de prisão relacionado ao caso. Deolane e Everton estão detidos desde maio.

Promotor aponta risco de novos crimes

O pedido de manutenção das prisões é assinado pelo promotor Lincoln Gakiya, conhecido pela atuação no combate ao crime organizado em São Paulo.

Segundo a manifestação do Ministério Público, existe risco de continuidade das atividades criminosas caso os réus sejam colocados em liberdade. O órgão sustenta que a estrutura descrita na investigação teria contribuído para a manutenção financeira e o crescimento da facção.

É justamente esse argumento que fundamenta o pedido para que Deolane continue presa preventivamente enquanto responde ao processo.

A prisão preventiva, porém, não tem caráter de condenação antecipada. A Justiça precisa avaliar se permanecem presentes os requisitos legais para manter a restrição de liberdade antes do julgamento definitivo.

Justiça decidirá se Deolane permanece presa

Agora cabe ao juiz responsável pelo processo analisar a manifestação do Ministério Público e os argumentos apresentados pelas defesas antes de decidir sobre a continuidade das prisões.

A defesa dos irmãos Camacho já contestou juridicamente as medidas cautelares, argumentando que parte dos fatos investigados remonta a 2019 e 2022 e que não existiriam acontecimentos recentes suficientes para justificar as prisões.

Até a publicação das reportagens consultadas, a defesa de Deolane Bezerra ainda não havia apresentado resposta aos pedidos de posicionamento feitos por UOL e CNN Brasil.

A decisão judicial ganha relevância porque ocorre em uma investigação que, segundo o Ministério Público, busca atingir justamente o braço financeiro utilizado para dar sustentação econômica ao crime organizado.

No caso de Deolane, a Justiça terá de decidir se os elementos apresentados pela Promotoria são suficientes para justificar a continuidade de uma medida excepcional: mantê-la presa preventivamente enquanto o processo por organização criminosa e lavagem de dinheiro segue em andamento.


Fontes consultadas:


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