sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crise de componentes e projeção cautelosa fazem ações da Apple despencarem

Investidores reagiram mal aos desafios na cadeia de suprimentos e às estimativas de receita abaixo do esperado para o próximo trimestre fiscal.

A Apple viveu um dia difícil nesta sexta-feira (31). As ações da gigante de tecnologia registraram uma queda de 9,5%, atingindo US$ 301,83, no que foi o maior recuo intradiário da companhia desde abril de 2025. O movimento foi desencadeado por uma combinação de falta de componentes essenciais e projeções de vendas que ficaram aquém do que o mercado esperava.

Em teleconferência realizada na última quinta-feira (30), a empresa sinalizou que sua receita deve crescer entre 9% e 11% no quarto trimestre fiscal, período que encerra em setembro. O número frustrou analistas que trabalhavam com uma expectativa de alta superior a 12%, justamente em um momento crucial para o lançamento de novos iPhones.

Desafios na produção e custos

O CEO Tim Cook admitiu que a companhia enfrenta dificuldades para garantir processadores e lidar com a alta acentuada nos custos de memória, uma situação que ele descreveu como uma “enchente que só acontece a cada 100 anos”. Esse cenário, somado a uma demanda robusta por produtos como o iPhone 17 e o MacBook Neo, forçou a Apple a elevar os preços de iPads e Macs recentemente.

A crise de suprimentos também tem causado gargalos na entrega de computadores, como os modelos Mac mini e Mac Studio. Cook alertou que as restrições devem continuar impactando a disponibilidade de Macs, iPhones e iPads ao longo deste trimestre.

Avaliação do One Notícias: Momento de transição

Este resultado trimestral marca um ponto de virada significativo para a companhia, ocorrendo justamente na fase final da gestão de Tim Cook, que passará o comando para o atual chefe de hardware, John Ternus, no dia 1º de setembro. A transição ocorre em um momento em que a Apple busca encontrar seu lugar na corrida da inteligência artificial, área em que vem enfrentando críticas por estar atrás de concorrentes do setor.

Apesar do baque na bolsa, vale destacar que o último trimestre trouxe números positivos em frentes importantes: a receita total subiu 16%, atingindo US$ 109,4 bilhões, superando as estimativas. O iPhone, principal motor financeiro da casa, cresceu 22% em receita, demonstrando que a demanda do consumidor final permanece firme, mesmo com as dificuldades logísticas que a empresa tenta contornar.


Fontes consultadas:


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