Os empresários Joesley e Wesley Batista acertaram a compra de 100% da Nova AVB, controladora da Avibras Aeroco, fabricante brasileira de mísseis, foguetes e sistemas de defesa. A aquisição será realizada pela Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais da família Batista, e ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O valor da transação não foi informado.
Apesar de os irmãos serem os principais controladores da J&F, há uma diferença importante: a Avibras não está sendo adquirida diretamente pela J&F S.A. A Globe integra o patrimônio de investimentos pessoais da família e já foi utilizada pelos empresários em outras operações, como a aquisição de participação na Usiminas.
A Avibras é considerada uma companhia estratégica para a indústria brasileira de defesa. Fundada em 1961, desenvolveu tecnologias próprias e ganhou projeção internacional com o sistema de artilharia ASTROS, além de fabricar mísseis, foguetes, veículos especiais e soluções voltadas ao setor espacial. A empresa também desenvolve o MTC-300, míssil tático de cruzeiro.
O negócio ocorre depois de anos de dificuldades financeiras. A antiga Avibras entrou em recuperação judicial em 2022 e passou cerca de três anos sem produção contínua. Uma greve iniciada em setembro daquele ano durou 1.280 dias e terminou em março de 2026, após um acordo que prevê o pagamento de cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas. A fábrica de Jacareí, no interior de São Paulo, retomou as operações neste ano.
Joesley Batista já havia se aproximado da companhia antes da aquisição. O empresário participou de uma captação privada de R$ 300 milhões, coordenada pelo Fundo Brasil Crédito para ajudar a financiar a retomada da Avibras. O valor individual investido por ele não foi revelado.
Segundo a Globe, a compra pretende dar sustentação à retomada das operações, preservar a capacidade tecnológica e industrial da fabricante e criar condições para que ela volte a crescer no Brasil e no exterior. O acordo também mantém o controle da companhia em mãos brasileiras, ponto especialmente relevante por se tratar de uma empresa ligada a tecnologias consideradas estratégicas para a defesa nacional.
A transferência de controle, porém, ainda não está concluída. A própria Avibras informou que a operação foi submetida ao Cade e depende da aprovação do órgão e dos demais procedimentos necessários para o fechamento do negócio.
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