País adotou abordagem de saúde pública para enfrentar a violência urbana que, entre 2003 e 2005, colocou Glasgow como a capital de assassinatos da Europa.
Entre 2003 e 2005, Glasgow enfrentou um cenário crítico de criminalidade, registrando a maior taxa de homicídios da Europa. A região sofria com a atuação de gangues juvenis, tráfico de drogas e o uso frequente de armas brancas. Em resposta, a polícia local criou, em 2005, a Unidade Escocesa de Redução da Violência (SVRU), que posteriormente foi ampliada pelo governo para todo o território nacional.
Uma das iniciativas marcantes ocorreu em 2008, no Tribunal do Xerife de Glasgow, onde 85 integrantes de gangues rivais ouviram depoimentos sobre os impactos da violência. A estratégia, que buscou o diálogo e a oferta de alternativas para o abandono do crime, resultou em centenas de adesões voluntárias de jovens interessados em deixar a criminalidade.
A mudança fundamental na política escocesa foi tratar a violência como um problema de saúde pública, e não apenas como uma questão de segurança ou justiça. A abordagem foca na prevenção, na coleta de dados e na identificação de fatores de risco, como o desemprego e a instabilidade familiar, buscando intervir antes que os crimes ocorram.
Os resultados foram expressivos na década seguinte à implementação das medidas. A taxa de homicídios em Glasgow caiu 56%, enquanto no restante do país a redução foi de 38%. Atualmente, a Escócia apresenta índices de homicídios per capita inferiores aos registrados na Suécia, França e Inglaterra, atingindo o menor patamar em mais de duas décadas.
Fonte: G1 Mundo
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