Aumento da injeção de recursos na economia pressiona a inflação e limita espaço para cortes na taxa Selic

O Monitor de Expansão Fiscal Ampliada (MEFA), elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), revelou que a injeção de recursos na economia brasileira mais do que dobrou no segundo trimestre deste ano. O índice alcançou 4,52% do Produto Interno Bruto (PIB), superando os 2,19% registrados no trimestre anterior.
Segundo o economista Alexandre Manoel, da FGV, o resultado reflete uma forte aceleração da expansão fiscal por meio de canais que não são totalmente captados pelo resultado primário convencional. O levantamento aponta que as despesas financeiras, que atingiram 3,29% do PIB, foram o principal fator para o crescimento do índice, acompanhadas pelo volume de Restos a Pagar.
A análise da FGV destaca que, ao comparar junho de 2022 com junho de 2026, o impulso medido pelo MEFA saltou de 1,43% para 6,70% do PIB. O estudo ressalta que mais de quatro quintos desse montante referem-se a operações que ocorrem fora do resultado primário tradicional.
Embora a expansão fiscal contribua para sustentar a demanda agregada, o emprego e a renda, o economista alerta para consequências macroeconômicas. O cenário atual tende a tornar a queda da inflação mais lenta, restringir o espaço para reduções na taxa básica de juros (Selic) e exercer pressão sobre a trajetória da dívida pública e os prêmios de risco dos ativos domésticos.
Fonte: InfoMoney
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