sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Delegado é preso na Bahia por esquema milionário de propina com garimpeiros

Investigação aponta movimentação de R$ 12 milhões em contas de delegado suspeito de extorquir trabalhadores e manter elos com criminosos.

A Polícia Civil da Bahia registrou mais um episódio lamentável que mancha a imagem das forças de segurança pública. O delegado José Marcelo Bezerra de Santana foi preso na última quarta-feira (5/8), no município de Euclides da Cunha, sob graves acusações de corrupção e extorsão. A prisão ocorreu durante a terceira fase da Operação Ouro de Tolo, conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil (Correpol).

Na nossa avaliação, fatos como este reforçam a urgente necessidade de um controle mais rigoroso e de uma faxina profunda nas instituições brasileiras, que infelizmente ainda sofrem com a infiltração de agentes desonestos. É inaceitável que quem deveria representar a lei utilize o cargo para mancomunar com o crime.

Segundo as investigações, a movimentação financeira do delegado chamou a atenção por atingir a cifra de R$ 12 milhões. O esquema teria começado a ser desvendado após a Corregedoria receber áudios comprometedores, nos quais o então delegado cobrava vantagens indevidas de garimpeiros que atuavam nas cidades de Cansanção e Nordestina, no norte baiano. Quando a operação foi deflagrada pela primeira vez, em agosto de 2025, os agentes já haviam encontrado R$ 90 mil em espécie durante buscas.

Para além da extorsão, os autos apontam algo ainda mais grave: uma suposta relação da delegacia comandada por José Marcelo com facções criminosas locais, incluindo traficantes de drogas. Há também indícios, baseados em conversas extraídas de aplicativos de mensagens, de que o delegado teria orientado um advogado a falsificar documentos para liberar valores que haviam sido apreendidos em ações policiais.

O delegado, que já havia sido afastado de suas funções por 90 dias quando a operação teve início no ano passado, teve seu porte e posse de arma de fogo suspensos. Agora, ele permanece à disposição do Poder Judiciário. Nós continuaremos acompanhando o desenrolar deste caso, pois a sociedade brasileira não pode tolerar a impunidade, especialmente quando ela nasce de dentro do próprio aparato estatal.


Fontes consultadas:


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