Governo brasileiro aponta possível motivação política na exclusão do país da lista de exportadores de produtos de origem animal para o bloco europeu
O governo brasileiro estuda acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar a decisão da União Europeia de barrar as exportações de carne do Brasil. A medida, oficializada em junho, exclui o país da lista de nações autorizadas a vender produtos de origem animal ao bloco, sob a justificativa de que o Brasil não apresentou as informações necessárias sobre o uso de antimicrobianos na produção.
A exclusão abrange itens como carne bovina, de frango, de cavalo, além de tripas, peixe e mel. Enquanto o Brasil foi removido da lista, países vizinhos do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantiveram suas autorizações de exportação para o mercado europeu.
De acordo com estimativas do Ministério das Relações Exteriores, o impacto financeiro da restrição pode atingir US$ 2,4 bilhões anuais. A medida tem previsão de entrar em vigor em setembro. O Itamaraty informou, em documento enviado ao Congresso Nacional, que prioriza negociações técnicas para reverter o veto, mas mantém a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais de solução de controvérsias.
O governo brasileiro também manifestou a avaliação de que a decisão possui uma dimensão política. Segundo o Itamaraty, setores europeus historicamente contrários ao acordo comercial entre Mercosul e União Europeia passaram a defender a medida, o que, na visão do governo, sugere motivações além das justificativas técnicas apresentadas pela Comissão Europeia.
Atualmente, o Ministério da Agricultura e o setor privado trabalham na busca por soluções técnicas, incluindo a oferta de visitas presenciais aos criadouros para atender às exigências europeias de comprovação sanitária.
Fonte: G1 Economia
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